Você não precisa se apresentar.

Trocou um crachá por uma ideia, e ainda não sabe se foi coragem ou teimosia.

Já fez a conta de quantos meses aguenta. E refez, quando o número encolheu.

Aprendeu que sacrifício não é a palavra bonita das palestras. É o aniversário que você perdeu, a conversa que adiou, o silêncio no caminho de volta para casa.

Sua ambição não cabe na rotina, e sua família não cabe em segundo plano. Você mora no vão entre as duas.

A ansiedade só se cala quando você faz mais. Você sabe que isso não é cura.

Toda conquista vira chão no dia seguinte, por isso você quase não comemora.

Quer ser reconhecido e tem pudor de querer.

O tempo dos seus pais e o tempo da sua empresa correm juntos, e nenhum dos dois espera.

Não conta tudo em casa, para não preocupar. Nem aos sócios, para não assustar. Nem aos investidores, para não perder.

Está se tornando alguém que ainda não é, e às vezes ensaia essa pessoa diante dos outros.

Ninguém te disse o preço. Você foi pagando.

Já chegou ao limite, de cabeça e de caixa, e descobriu que o limite tinha outro lado.

Talvez ainda esteja atravessando. Talvez já esteja do outro lado. Aqui, isso não separa ninguém.

Não procura plateia. Procura quem carrega a mesma marca e não desvia o olhar.

Se você se reconheceu, o resto não precisa ser dito.

A cicatriz é a senha.

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